2026
35º Encontro
07 a 10 de setembro
O Encontro deste ano é dedicado à análise prospetiva sobre as condições para formular e promover estratégias científicas e tecnológicas e políticas públicas de Prevenção, Preparação e Prontidão, para enfrentar desafios societais e riscos públicos emergentes, numa era de abundância de conhecimento, Inteligência Artificial (IA) e desinformação. A enfâse será em promover a cooperação internacional para estimular a saúde e bem-estar públicos, juntamente com recursos endógenos (e.g., floresta, água, energia) e a qualidade da vida urbana.
A complexidade destes desafios exige novas iniciativas a nível internacional e o Encontro deste ano volta a ter como objetivo específico aprofundar a análise das condições para promover projetos específicos de cooperação transatlântica com África e a América Latina. Incluirá debater oportunidades e desafios associados à cooperação Europa-Mercosul no quadro geopolítico emergente.
Em tempos de relativo “deslumbramento” tecnológico, associado à crescente massificação dos sistemas digitais e da IA, assim como ao crescimento sem precedentes do investimento e da capacidade científica e tecnológica e produtiva em larga escala chinesa, será que é possível adotar uma visão humanista de base democrática do desenvolvimento tecnológico e da massificação dos sistemas digitais? O Encontro de Prospetiva de 2026 aprofundará este debate e discutirá a oportunidade de agendas científicas e tecnológicas de prevenção, preparação e prontidão privilegiando a “Agência Humana” com impacto em várias áreas, incluindo na área da saúde pública e do combate ao cancro, da segurança energética e da governação urbana e das florestas, entre outros recursos endógenos.
Exige ultrapassar obstáculos relevantes, nomeadamente as barreiras em muitas sectores e instituições públicas e privadas criadas pela aversão ao risco, falta de imaginação e ignorância tecnológica de alguns atores relevantes. Incluem as burocracias que dominam administrações públicas e privadas, assim como hospitais, escolas e instituições de ensino superior.
O debate será, assim, inspirado pela necessidade de revisitar as relações ciência-sociedade no reforço das democracias para enfrentar os desafios emergentes e o crescente “complexo de incerteza” que estamos a presenciar a nível global. Inclui abordar estratégias baseadas em conhecimento que sejam:
- Preditivas, incluindo a identificação precoce de desafios e previsão de resultados, incluindo o recurso a sistemas avançados de informação e inteligência artificial;
- Preventivas, estimulando a intervenção precoce;
- Personalizadas, orientadas para facilitar decisões individuais, estimulando os coletivos e evitando o individualismo (i.e., contrariando o “me first”); e
- Participativas, incluindo o envolvimento ativo das pessoas.
Inclui, claramente, reforçar estratégias de segurança energética, que garantam a sustentabilidade social, económica e ambiental da oferta energética em tempos da expectável eletrificação total da economia.
Mas exige, também, conceber, desenvolver e implementar estratégias de base científica em todo o continuum de translação no combate ao cancro, às doenças cardiovasculares ou às doenças mentais, entre outras áreas da saúde pública, incluindo ciência de fronteira e inovação disruptiva, assim como colaborativa, de forma a abandonar a narrativa de tornar essas doenças “crónicas” e atuar na sua deteção precoce e prevenção.
Exige, ainda, sistemas de planeamento e gestão urbana e de governação florestal totalmente integradores de novas informações (e.g., imagens de satélite de muita alta resolução) para monitorizar e governar o bem-estar social, a manutenção e sustentabilidade urbana e da floresta, juntamente com a qualidade de vida das pessoas.
Esses sistemas implicam, necessariamente, uma complexa rede logística de operações em todas as áreas e sectores, da saúde pública, à gestão urbana e florestal, que requerem novas formas de governação pública orientada por políticas públicas adequadas. Exige integrar sistemas baseados em plataformas digitais orientadas para o utilizador comum, de fácil adoção, juntamente com ações de “comando e controlo” participado e democraticamente estimulante, abandonando intervenções policiais de orientação totalitária. Mas exige novos conhecimentos orientados para reduzir o “tempo de ação”, entre a análise e planeamento digital e a ação no terreno com efeitos práticos de prevenção, preparação e prontidão. Ou seja, exige recorrer a novos conhecimentos de “Inteligência Analítica” (i.e., “Analytic Intelligence”).
Num contexto internacional em acelerada transformação e na sequência do lançamento e da formulação da rede “K4P Alliances – Knowledge for People, the Planet and Prosperity through Partnerships”, após os Encontro de 2022 e 2023, o encontro deste ano tem por objetivo aprofundar o debate das condições para promover novas ideias para a cooperação entre a Europa, o Mercosul e África, incluindo a segurança das populações no Atlântico Sul. Inclui, necessariamente, o debate sobre a transição inclusiva e verde na era digital emergente, assim como contribuir para erradicar a pobreza e reduzir desigualdades a nível local e global. Inclui, assim, o debate sobre recursos endógenos, segurança energética e ambiental, juntamente com a proteção civil e a saúde pública, de forma a reforçar regimes democráticos e a participação cívica.
O debate incluirá aprofundar desafios associados a revisitar abordagens à cultura científica e tecnológica para fortalecer o apoio público e a compreensão da ciência na era da abundância de conhecimento, da inteligência artificial e da desinformação. Torna-se crucial aprender a lidar com a incerteza, juntamente com a fragmentação do multilateralismo e a polarização das nossas sociedades. Promover a influência dos cientistas e das instituições científicas na sociedade e garantir a relevância da ciência e da tecnologia para as necessidades sociais são medidas primordiais. A verdadeira questão não é uma falta de confiança intrínseca na ciência, mas sim o facto de a confiança na ciência se ter tornado um dano colateral nos processos mais amplos de polarização política.
Este desafio inclui a “luta pela verdade” e contra a desinformação e as informações falsas (i.e., “fake news”). Noutros termos, as atitudes individuais e comportamentos sociais são indissociáveis da forma como as pessoas assumem riscos, fomentam o investimento público e promovem a inovação como uma capacidade comum. E isso exige o fortalecimento da cultura científica e tecnológica como um “bem público global” eficaz e um "valor" fundamental. E este desafio está alinhado com a posição recente do Conselho Internacional de Ciência, que argumenta que "a ciência tem dois atributos fundamentais que sustentam seu valor como um bem público global: que as alegações de conhecimento e as evidências em que se baseiam sejam disponibilizadas abertamente para escrutínio, e que os resultados da pesquisa científica sejam comunicados de forma rápida e eficiente, para que todos que desejem ou precisem acessar esses resultados possam fazê-lo".


